Um ano de Make It Count:
O emocionante disco do guerreiro
Ronnie Atkins
Por Claudio Quintaneira
2022
18 de março
Ronnie Atkins apresentou Make It Count, seu segundo registro solo de estúdio. O lançamento foi abordado, dentro do Legends News, na edição #85 do Rock Legends. Em português: “Faça Valer A Pena”, o título reflete o drama vivido pelo cantor e compositor dinamarquês - que há dois anos enfrenta uma dura corrida contra o tempo, após um câncer de pulmão, dado como superado, ter retornado em seu estágio mais avançado. Atkins passou por pelo menos 33 tratamentos de radiação, e quatro de quimioterapia, antes de ser declarado livre da doença. Isso é facilmente percebido na capa, encarte e selos das mídias, com ampulhetas espalhadas por toda a parte.
O material chegou às lojas exatamente um ano após One Shot, sua aclamada estreia, e foi concebido seguindo as mesmas rotinas de trabalho, exceto no que se refere às restrições de contato em função da Covid-19 - que, nessa época, já estavam bem mais flexíveis, e permitiu que ele pudesse conhecer melhor, e pessoalmente, alguns dos músicos que integravam seu time. São eles: o baterista Allan Sørensen; o baixista Pontus Egberg (ex-Treat), além de Chris Laney, que acumulou ainda as funções de produção por aqui. Escritas por Ronnie, no piano ou violão, priorizando melodias e linhas principais, as músicas foram enviadas para Laney, que prontamente trabalhou nas demos. Quando todos ficavam satisfeitos com os arranjos, Atkins entrava com seus vocais, seguido pelos músicos, que compunham suas faixas individuais.
Liricamente, as doze peças do play abrem mão do padrão rock’n roll, de sexo e drogas, para tratar de sua doença, porém sob uma abordagem positiva, no sentido de tirar o melhor proveito da vida, e amar a todos, enquanto ainda estamos por esse plano. Em declaração, publicada no portal da Frontiers Music, sua gravadora, o frontman revelou ter tido dificuldades para encontrar ideais, uma vez que seus problemas de saúde estão sempre, de alguma forma, em seu subconsciente 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não importa o que ele faça, está sempre sendo confrontado com isso. Então, é natural que algumas de suas músicas toquem nesse assunto. Já em termos de estilo, ele entrega uma coleção de pop/rock melódicos, que foram transformados em algo para soar muito adequado para o público que o acompanha ao longo de todos esses 41 anos de carreira. Atkins revelou fazer o que gosta, sendo o seu próprio patrão em seus discos solo, e também o único a assumir a responsa por expectativas eventualmente não correspondidas.
Um dos problemas da Pretty Maids, por exemplo, banda que ele ajudou a fundar, é que eles soavam muito pesados para o público AOR, mas muito leves para o metal. Com Make It Count, Atkins conseguiu encontrar o meio-termo perfeito, mesclando melodia com doses de força suficientes para manter o ouvinte balançando.
“Rising Tide” e “Blood Cries Out”, ambas já executadas no Rock Legends, são dignas de menção inicial. Cada uma, carregada de eletrizantes correntes de emoção, encontra o vocalista em luta com assuntos que trabalham duro para escapar de seu alcance, claramente sinalizados em seus títulos. “Grace" e "Easier To Leave (Than To Being Left Behind)" são puro ouro AOR, e parecem até que foram concebidas nos anos oitenta, no auge do gênero. Já “Unsung Heroes”, é uma saudação aos verdadeiros heróis dos duros tempos de Covid, enquanto a perspicaz, e belíssima balada “Remain To Remind”, é uma canção simples, robustamente melodiosa, ampliada pela feliz produção de Laney. Ela combina perfeitamente com outra balada: “Let Love Live”, ainda mais simples e suave.
Mas o destaque principal vai para a faixa título: “Make It Count”, iniciada de forma linda e assombrosa - mas, que lá pela metade, é tomada por uma vibe cativante como o inferno, e quase dançante. Portando algumas das letras e interpretações vocais mais pungentes e emocionantes de Ronnie, ela fala sobre fazer valer cada pequeno momento, cada sorriso precioso avistado, e cada sonho que pode se tornar realidade, não esquecendo sempre de cada batalha percorrida e cada dia na vida em que você se permitiu, para cada raio de luz que brilha em você. Se parar para ler a letra toda, eu fatalmente não vou conseguir terminar esta resenha.
Bom, finalizo esperando que Ronnie Atkins permaneça saudável por muitos anos e continue a nos abençoar com uma música tão incrível, seja com a Pretty Maids, ou com trabalhos tão memoráveis como esse.
Todas as faixas foram escritas por Ronnie Atkins; exceto "Blood Cries Out", escrita por Atkins e Chris Laney.
1. I've Hurt Myself (By Hurting You)
2. Unsung Heroes
3. Rising Tide
4. Remain To Remind Me
5. The Tracks We Leave Behind
6. All I Ask Of You
7. Grace
8. Let Love Lead the Way
9. Blood Cries Out
10. Easier To Leave (Than Being Left Behind)
11. Fallen
12. Make It Count

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